WandaVision | Fomos enganados? (Crítica)

1 mês atrás
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WandaVision chegou ao fim na última sexta-feira, confirmando (ou não) inúmeras teorias dos fãs. A série, que acompanha a personagem Wanda Maximoff e seu marido Visão após os eventos de Vingadores: Ultimato, fervilhou a internet de especulações e possíveis conexões com futuros filmes do Universo Marvel. No final, muitos ficaram decepcionados pelo desfecho não ser exatamente o que eles esperavam.

Mas será que a série enganou todo mundo mesmo ou foi hype exagerado dos fãs?

Desde sempre os fãs sonham como uma união dos Vingadores com os X-Men e Quarteto Fantástico no cinemas.  Principalmente após Vingadores: Ultimato, que foi um encerramento para as grandes tramas até então estabelecidas, a possibilidade de novos heróis serem introduzidos fica ainda mais em voga. Como Wanda é uma das maiores feiticeiras da Marvel e consequentemente uma das personagens mais poderosas, naturalmente os fãs especulam que ela pode abrir uma possível conexão com universos paralelos, nos quais aparentemente estariam as outras super equipes. Essa teoria ganha força a partir do momento em que a personagem é também confirmada no segundo filme do Doutor Estranho, que irá abordar viagens pelo multiverso.

Na minha opinião esse hype foi exagerado.

Os primeiros episódios da série são centrados num suposto reality show de comédia estrelado por Wanda e Visão na década de 50, em que pequenas pistas são deixadas sobre o que possivelmente está acontecendo fora desse reality show. São episódios lentos e maçantes, com um humor extremamente datado, e que propositalmente deixa o espectador confuso sobre o que está acontecendo. Os dois protagonistas da série aparentemente estão vivendo a vida que sempre sonharam, casados em um subúrbio de uma cidade pequena, empenhados em formar uma família e viverem felizes para sempre. Mas nem tudo é o que parece. Wanda constantemente tem vislumbres de seu passado e sente uma conexão estranha com elementos da cidade que parecem extremamente familiares, ainda que sejam desconexos com o cenário da década de 50. Ao longo dos episódios vemos o progresso da relação entre os dois e do estranhamento da Wanda com as coisas ao seu redor, percebendo que algo ali está muito errado.

Com o desenvolvimento da trama, as décadas começam a passar misteriosamente na cidade numa velocidade absurda, principalmente com o crescimento dos filhos da Wanda e Visão.

Toda a parte da ambientação, cenário, figurino, músicas de escolha e até os programas de televisão aos quais os personagens assistem em cada época são cuidadosamente escolhidos pela produção. Enquanto isso o mistério flui de forma bem natural e o espectador é gradativamente envolvido com a trama. A série é repleta de reviravoltas que deixam qualquer fã mais engajado da Marvel de cabelo em pé. Supostas referências a tão esperada ligação com os X-Men e Quarteto fantástico são colocadas na hora certa e foram suficientes para deixar a cabeça dos fãs cheia de teorias.

Infelizmente tudo isso é jogado no lixo, não passava de simples easter eggs que, junto com jogadas de marketing na internet por parte de membros da produção, atraem pessoas para dar audiência. A produção errou feio em alimentar as teorias que apontavam para uma participação especial de um personagem grande no final da série. Dezenas de easter eggs ao longo dos episódios que aparentemente faziam ligações com os X-Men não levaram a absolutamente nada. Todo o mistério criado em torno disso foi resolvido de maneira supérflua e que, para mim, é um desrespeito com os fãs que tanto teorizaram em cima das referências. É impossível a produção não saber a tamanha repercussão que isso tudo iria gerar, não é atoa que grande parte das pessoas que assistiram saíram extremamente decepcionadas.

Por outro lado, a série nunca foi realmente sobre isso. Desde o início o ponto central sempre foi a Wanda. Ela é a estrela da série. Claro que especulações fazem parte da experiência e são importantes para o engajamento da produção no mercado, mas o foco aqui sempre foi o emocional. A série aposta muito mais em sua própria narrativa, que visa mostrar o amadurecimento da Wanda após os eventos trágicos dos últimos filmes dos Vingadores. Esse é um acerto gigantesco. Ela entrega exatamente aquilo que se espera de uma história sobre perda, luto, negação, raiva e aceitação diante da morte de um ente querido, não uma saga épica envolvendo dezenas de super humanos de realidades alternativas que farão o maior crossover de todos os tempos. A história até abre portas para que conexões futuras venham a acontecer um dia, mas é de forma bem discreta e não necessariamente é algo concreto para as próximas produções da Marvel.

Há aqui abordagens empáticas e até intimistas que, em alguns casos, é capaz de fazer chorar alguém mais desprevenido. Todo o arco emocional tem um início, meio e fim muito bem desenvolvidos. O desfecho da Wanda é perfeito e elimina a possibilidade de novas temporadas, pelo menos nos moldes da primeira. Comparando a primeira aparição de Wanda Maximoff em Vingadores: Era de Ultron com tudo que ela se tornou em WandaVision, é absurda a mudança no conceito da personagem. No fim, nos vemos muito mais próximos de quem ela é e até construímos uma certa intimidade com essa que é uma das personagens mais bem trabalhadas da Marvel nos cinemas até agora.

Em geral, a série conseguiu trabalhar muito bem sua narrativa, apresentou efeitos visuais razoáveis e um invejável desenvolvimento de personagem. Pode não ter sido exatamente o que foi prometido, mas é impossível negar que existe algo valioso aqui.

A experiência completa de WandaVision | Blog de Hollywood

Todos os nove episódios de WandaVision estão disponíveis no serviço de streaming Disney +.

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