Moneyball | Filme com Brad Pitt que fala sobre estratégia e liderança (Crítica)

4 semanas atrás
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Lançado em 2011, “Moneyball: O homem que mudou o jogo” conta a história real de um gerente de um time falido de baseball que, ao adotar estratégias baseadas em matemática, consegue fazer a equipe dar a volta por cima. O longa é dirigido por Bennett Miller e estrelado por Brad Pitt, que incorpora Billy Bean.

Billy, que em sua juventude foi um respeitado jogador do Oakland A’s, agora com 44 anos se vê a frente do time que está numa situação muito complicada. A falta de verba faz com que seja inviável a contratação de novos jogadores grandes e, juntamente com uma má gestão por parte dos executivos, a equipe não consegue ir para frente. Cansado de lutar por algo e não obter os resultados desejados, Billy se reúne com os executivos para tentar entender por que nada lá está dando certo. Ele então percebe que todos ali não só estavam discutindo os pontos errados, como também não têm interesse em fazer as coisas de forma diferente. Ao invés de focarem na base do problema, fazendo um uso inteligente dos poucos recursos disponíveis, os executivos se preocupam mais com a vida pessoal de cada jogador e a imagem deles diante da mídia.

Billy, ao tentar negociar jogadores com outro time, acaba conhecendo um genial analista de dados que presta serviços para a instituição. O personagem, interpretado por Jonah Hill, é um economista com uma habilidade de enxergar tudo de forma extremamente detalhada e matemática. Ele então é contratado para ser seu ajudante no Oakland A’s na missão de elevar o time ao patamar de campeão através de uma estratégia precisa.

A premissa do filme é boa, dando destaque ao fato de que Billy era o único na equipe administrativa do Oakland A’s que via as coisas de uma forma diferenciada, de modo a enxergar os reais problemas e trabalhar persistentemente em cima deles.

Seu personagem tem características de personalidade que são muito próprias e Brad Pitt consegue exaltar isso muito bem. Ele usa suas atitudes, que são muitas vezes enérgicas, para ganhar respeito entre os jogadores e executivos e assim ter um bônus na hora de gerir as pessoas. Outra característica interessante é também sua frieza. Fica claro a preferência do gerente de ter o mínimo contato possível com os jogadores em momentos de confraternização. Dessa forma ele evita criar laços que possam prejudicar a decisão de demitir algum jogador ou corrigi-los por algum erro. Trabalhando mais nos bastidores do que nos campos junto aos demais gerentes e treinadores, Billy constrói uma forma única e eficiente de lidar com os problemas.

É interessante no filme como Billy também é forçado a lidar com questões pessoais ao mesmo tempo em que um enorme desafio profissional é imposto para ele. Divorciado e com sua ex esposa vivendo com um homem muito mais rico que ele, ele precisa lidar com o crescimento da filha e tentar ser o mais presente na vida dela possível.

Infelizmente esse ponto não é bem aproveitado no filme. Aqui existem várias oportunidades de dar mais espaço para a vida pessoal do protagonista e desenvolver melhor a relação com sua filha. Acredito que se trocasse alguns vários momentos em que ele está lidando com questões do time, que já foram repetidas diversas vezes durante o filme, por cenas envolvendo sua filha e ex esposa, a carga dramática seria muito maior e consequentemente nos sentiríamos mais apegados ao protagonista. Como isso não acontece, as poucas cenas focadas nos seus relacionamentos pessoais são extremamente breves e não tem tanto peso.

Entendo que é um filme baseado em fatos, mas inserir um possível conflito entre pai e filha, envolvendo o fato de ele muitas vezes não conseguir ser devidamente presente na vida dela, seria uma boa alternativa para desenvolver melhor esse lado emocional que comentei.

Peter Brand, o personagem de Jonah Hill, consegue trazer uma carga intelectual para o filme nas cenas que ele aparece. Isso é bom, porque mostra que Billy tem ao lado alguém realmente competente e que utiliza técnicas inovadoras para alavancar um time de baseball. Ao longo dos planejamentos das partidas são mostrados vários cálculos e estratégias baseadas em matemática, porém sempre de forma superficial. Seria muito mais assertivo, por exemplo, se houvessem cenas em que os personagens imaginam simulações das técnicas sendo aplicadas nas partidas e suas possíveis consequências. Constantes erros e acertos até atingir o aprimoramento desejável. O filme não aproveita isso e todas as vezes em que essas estratégias são mostradas e citadas é de forma muito vaga.

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Inclusive, o próprio personagem do Jonah Hill também é muito mal aproveitado. Um ator desse calibre, que deveria ter um papel importante, é sempre deixado de lado, muito por conta dessa falta de aprofundamento que citei acima. Seria interessante vê-lo em grande estilo, sendo o cabeça de muitas jogadas brilhantes que deram certo em campo e fizeram da equipe um time responsável.

Superficialidades como essa chegam a prejudicar o tom do filme, que poderia ser uma história bem trabalhada de superação e liderança com boa carga dramática, mas muitas vezes tem um tom neutro e até repetitivo.

Apesar disso, o filme consegue prender relativamente bem a atenção do espectador, mesmo de quem não entende nada de baseball ou esportes em geral. Esse é um acerto no momento em que o filme consegue tornar os bastidores do esporte (administração, planejamento, financeiro, etc) mais interessante até que os jogos em si. Apesar de errar em muitos pontos, o filme conseguiu me deixar interessado durante ele todo e até despertou certo interesse no assunto.

Moneyball vêm com uma ideia interessante, mas peca ao desenvolver coisas importantes de forma muito superficial, perdendo ótimas oportunidades de envolver o espectador com o que está acontecendo. Em geral, acerta com o personagem do Brad Pitt, mas erra ao deixar de lado todo o potencial que tem o personagem do Jonah Hill.

O saldo geral é positivo, mostrando como boas métricas e um planejamento de equipe pode elevar suas metas até um resultado desejado, conseguindo deixar boas lições de vida e profissão também. Mesmo com seus problemas, recomendo Moneyball para quem já é amante do esporte, mas também para quem não tem questão nenhuma com isso, pois o filme tem coisas muito importantes a ensinar.

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